“Melhorar a acessibilidade”

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ÓpticaPro: Quando se implementaram os sistemas Infometro e Navmetro?

Manuel Teixeira: Os projectos surgiram em 2006. A Metro do Porto foi contactada pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), no sentido de desenvolvermos um programa para melhorar a acessibilidade das pessoas com dificuldades visuais. Entretanto, convidámos também a Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO) para participar no trabalho. Achámos o desafio atraente, mesmo não existindo grandes problemas de acessibilidade na nossa rede.

 

OP: Então porquê esta aposta?

MT: Havia um aspecto a melhorar, pois toda a informação estática que compõe as estações existia apenas em forma de imagem. Passámos toda esta comunicação para formato áudio, no sentido de aperfeiçoar o serviço para as pessoas invisuais. A parte de investigação do projecto já terminou, mas a aplicação está ainda em fase de implementação, até porque quando se apresentou o programa internamente, tornou-se numa ferramenta apetecível para a generalidade dos clientes. Deste modo, vamos “migrar” totalmente para os serviços gerais de informação ao público. Penso que até ao final de 2009 o sistema estará em pleno funcionamento.

 

OP: Como funcionam exactamente os sistemas?

MT: O projecto divide-se essencialmente em duas áreas. A comunicação com o utilizador faz-se através do próprio telemóvel, com instruções faladas por um sistema automático e com sinais sonoros existentes na estação ao longo do percurso. Na parte do Infometro, a pessoa liga para um número e, em função da sua localização, damos-lhe as directrizes até chegar à estação de metro pretendida, bem como informação genérica acerca da viagem a realizar. No Navmetro, depois de uma chamada telefónica e através da planta do interior do edifício, conseguimos identificar o local exacto em que a pessoa se encontra. Em cada ponto-chave da estação existe um altifalante e, desta forma, encaminhamo-la através de sinais sonoros até ao destino. A escolha do som foi também muito importante, pois queríamos um “ruído” fácil de identificar e que não incomodasse os outros clientes. A aposta recaiu no chilrear dos pássaros, já que é um som facilmente detectado, inusitado e bastante agradável.

 

OP: Em relação aos ensaios efectuados, qual o ‘feedback’ dos utilizadores?

MT: Extremamente positivo. O sistema de testes tem funcionado muito bem, já que as pessoas conseguem identificar facilmente os sons. Além disso, efectuámos ensaios em invisuais com graus de mobilidade distintos. A diferença de tempo, desde a entrada da estação até ao cais de embarque, foi pouco significativa entre pessoas que já se movimentam bem e aquelas que estão a aprender a usar a bengala. Este facto demonstra a robustez e segurança que o sistema proporciona.

 

OP: Esta iniciativa, juntamente com as medidas de preservação ambiental, pretendem fazer da Metro do Porto um exemplo para outras empresas de transportes?

MT: Está tudo relacionado com as preocupações que tivemos aquando da implementação do metro, quer ao nível da qualidade de serviço, quer em relação às boas práticas ambientais. Creio que esta atitude é de facto exemplar, pois devolvemos muita qualidade de vida à cidade e promovemos novos hábitos. Por termos consciência desta atitude, consideramos importante transmiti-la e temos ganho, aliás, vários prémios nacionais e internacionais. Beneficiamos com tudo isto, não só em termos de imagem e reconhecimento público, mas também ao provocar efeitos positivos noutras entidades. Estas iniciativas motivam as empresas a desenvolver projectos do género e a melhorar o seu trabalho.

8 Março 2010
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