“As expectativas para a próxima edição são bastante elevadas” 

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O XXVIII Congresso Internacional de Optometria e Contactologia, organizado pela União Profissional dos Ópticos e Optometristas Portugueses (UPOOP), decorreu entre 13 e 15 de março, em Leiria, colocando em cima da mesa temas como o controlo da miopia, a inteligência artificial, a neuroplasticidade e as tecnologias de diagnóstico. No rescaldo do evento, Henrique Nascimento, presidente da UPOOP, sublinhou a importância da atualização científica, da partilha de conhecimento e da inovação para o setor, apontando ainda alguns desafios determinantes para o futuro da optometria.

Este congresso reuniu especialistas nacionais e internacionais. Que importância tem esta partilha de conhecimento e experiências para a evolução da optometria em Portugal? 

No que diz respeito ao networking, esses eventos facilitam a criação de redes de contactos entre especialistas, promovendo colaborações e parcerias que podem levar à realização de projetos de pesquisa e ao desenvolvimento de novas abordagens clínicas. A transferência de conhecimento é outro aspeto vital, pois a troca de expertises e experiências oferece perspetivas diversificadas que enriquecem a prática clínica local, permitindo que os profissionais adaptem novas soluções ao contexto português. A participação em congressos também promove o desenvolvimento profissional, incentivando os optometristas a buscarem formação contínua e especialização em áreas emergentes da optometria. Além disso, estes eventos desempenham um papel significativo na promoção da optometria, elevando o perfil da profissão na sociedade e destacando sua importância na saúde ocular e visual. Isto pode resultar num maior reconhecimento e apoio institucional, consolidando a optometria como uma área essencial no sistema de saúde. 

Que tendências científicas ou tecnológicas acredita que irão marcar a evolução da optometria nos próximos anos? 

As tendências científicas e tecnológicas que provavelmente marcarão a evolução da optometria nos próximos anos são bastante promissoras. A inteligência artificial e o machine learning, por exemplo, serão cada vez mais utilizados para análise de dados clínicos e de imagens, permitindo diagnósticos mais rápidos e precisos, além de auxiliar na triagem de doenças oculares. Outro aspeto importante é a personalização de tratamentos e lentes, que se tornarão mais comuns, baseando-se na saúde ocular individual e em dados genéticos, o que melhorará a eficácia dos cuidados. Além disso, novas tecnologias de diagnóstico, como dispositivos de imagem de alta resolução e métodos não invasivos, possibilitarão a deteção precoce de doenças oculares. O controlo da miopia será uma área de foco, com o desenvolvimento de novas intervenções e produtos, como lentes especiais e terapias, para responder ao aumento da sua prevalência entre a população. A ênfase na pesquisa clínica e na evidência científica também solidificará práticas baseadas em resultados, melhorando a qualidade dos cuidados prestados aos pacientes. Finalmente, haverá um crescente reconhecimento do impacto da saúde ocular na saúde mental e no bem-estar geral, promovendo uma abordagem integrada no cuidado ao paciente. Essas tendências, sem dúvida, transformarão a prática clínica e melhorarão os resultados de saúde ocular, além de enriquecer a experiência geral dos pacientes. 

Quais são as expectativas para futuras edições do congresso? 

Após o sucesso desta edição, as expectativas para a próxima edição são bastante elevadas. Em primeiro lugar, vamos garantir que o evento continue a reunir especialistas de renome nacional e internacional, contribuindo para um intercâmbio ainda mais rico de conhecimento e experiências na área da optometria. O feedback positivo dos participantes no último congresso vai levar a um aumento no número de congressistas no próximo que já tem data e local reservado. Tendo como lema “Évora, capital europeia da optometria”, realizar-se-á em março de 2027 em Évora, capital europeia da cultura. Como novidade teremos workshops práticos e sessões interativas, permitindo que os profissionais possam aplicar o que aprenderam de forma mais direta nas suas práticas clínicas. Queria agradecer o grande espírito de entreajuda e mobilização da minha direção e colaboradores assim como restantes órgãos sociais que tudo fazem para pormos em prática as propostas que nos propusemos quando fomos eleitos! 

A entrevista completa faz parte da revista ÓpticaPro 275.

21 Abril 2026
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