“Cuidem de vocês com a mesma dedicação com que cuidam dos outros”
Vivemos uma fase de grandes mudanças, em que o valor do relacionamento interpessoal e da confiança permanece central em várias áreas de atividade, nomeadamente nas relacionadas com a saúde visual. E o modo como as equipas são orientadas e acolhidas é determinante para o êxito das nossas organizações. Falámos com Ana Paula Ruiz, psicóloga, enfermeira especialista e investigadora em Psicologia da Saúde Ocupacional, cuja visão multidisciplinar e postura humanista têm inspirado novas formas de liderança e promoção do bem-estar no setor ótico.
O que a motivou a olhar para o setor da ótica sob uma perspetiva psicológica e organizacional?
O setor da ótica é fascinante e desafiador: conjuga ciência, precisão técnica e, ao mesmo tempo, uma elevada carga relacional e emocional. Todos os dias, os profissionais lidam com clientes em situações vulneráveis — seja por questões de visão, estética ou saúde — e essa interação exige mais do que conhecimento técnico. Requer empatia, escuta ativa, capacidade de lidar com emoções e comunicação clara. O que me motivou foi exatamente esta complexidade humana. Acredito que, ao fortalecer os recursos psicológicos das equipas, conseguimos não só melhorar os resultados organizacionais, mas também a experiência dos profissionais e dos clientes.
Que tipo de recursos psicológicos considera essenciais para os profissionais do setor da ótica?
Recursos como a autoeficácia, ou seja, a crença de que somos capazes de enfrentar desafios com sucesso; a esperança, que permite definir metas claras e manter o foco mesmo nas adversidades; o otimismo realista, que equilibra visão positiva com análise crítica; e a resiliência, que permite reerguer-se após contratempos. Estes quatro fatores são centrais para manter o equilíbrio emocional, a motivação e a ligação aos objetivos profissionais, especialmente em contextos exigentes como o da ótica. São competências desenvolvíveis, treináveis e que fazem a diferença na saúde mental e no desempenho.
Como podem as lideranças no setor promover um ambiente mais saudável e produtivo?
Uma liderança transformadora começa na forma como se olha para as pessoas. Ouvi-las, valorizar as suas ideias, acolher os seus erros como oportunidades de aprendizagem, dar feedback regular e sincero, são gestos simples que constroem ambientes seguros e motivadores. Pequenos detalhes, como reconhecer um bom atendimento ou envolver os colaboradores em decisões, aumentam o sentido de pertença e o engagement. Para além disso, líderes emocionalmente disponíveis e empáticos são peças-chave para prevenir o burnout e promover o bem-estar coletivo. A liderança, aqui, não é apenas técnica — é humana, relacional e estratégica.
Leia a entrevista completa na revista ÓpticaPro 273.
23 Março 2026
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