“Vendemos emoções oferecendo óculos”

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ÓpticaPro: A Allison conhece um crescimento na sua estrutura interna que reflecte uma orientação positiva no mercado. A famigerada crise não passou aqui?


Fernando Eugénio: A crise afectou todos os negócios, contudo aproveitámos a oportunidade de reposicionamento que esta conjuntura proporciona à Allison. Com a recessão económica, direccionámos a nossa estratégia para o produto “aros”, tendo em conta que os óculos de sol sofreram um decréscimo a nível mundial de 38 por cento.


OP: Porquê a necessidade de conjugar os mercados português e espanhol numa grande Allison Ibérica?


FE: O principal objectivo consiste em reduzir as estruturas e centralizá-las. Neste sentido, conseguimos reunir sinergias através de campanhas e negociação de contratos conjuntos, com estratégias e programas de actuação mais focados no mercado ibérico. Esta união dá-nos, com certeza, um maior músculo para enfrentar novos desafios e para continuar a projectar o nome da empresa para o caminho do sucesso.


OP: E qual será a grande estratégia delineada para a Allison Ibérica?


FE: Uma consolidação da quota de mercado, através da selecção criteriosa dos nossos clientes. Eles obterão inúmeras vantagens com esta remodelação, graças às campanhas publicitárias ibéricas, bem como ao reposicionamento das colecções. Cada vez mais, venderemos emoções oferecendo óculos.


OP: Como funcionará esta infra-estrutura significativa? 


FE: Em termos de espaço físico, possuiremos escritórios em Barcelona e Paredes, bem como ‘showrooms’ nas duas cidades. Quanto à componente humana, teremos dois directores comerciais e 45 agentes “no terreno”. Toda a facturação será centralizada na Allison Spa Itália.


OP: O Fernando Eugénio afasta-se consequentemente do mercado português que sempre trabalhou. Que desafios espera numa Espanha que se encontra deprimida em termos económicos?


FE: Bem, o trabalho a desenvolver é para ambos os mercados, uma vez que passo a coordenar a direcção ibérica. O desafio de Espanha revela-se tremendo, pois este mercado encontra-se num processo de autogestão por parte dos grandes ‘players’ do sector. Contudo, continuaremos a manter a nossa linha de orientação, que sempre se baseou no contacto directo com os ópticos, evitando assim a massificação de mercado.


OP: A assunção desta nova posição assume-se como um desafio intenso para a sua carreira?


FE: Apenas darei continuidade a um trabalho em que acredito. Os mercados estão mais exigentes, mas a nossa estrutura confia nas medidas que está a colocar em prática. Ter um bom preço e uma boa distribuição é insuficiente. Devemos despertar o interesse no consumidor em relação ao produto da Allison.


OP: E que estratégia se pensou para o mercado português, num período de grande retenção de custos?


FE: O plano está muito bem traçado até 2011. Além de uma nova posição relativamente a preços e produtos, estaremos atentos à distribuição, assim como a acções de marketing e de comunicação.


OP: Qual a interacção com a Allison internacional a partir desta mudança?


FE: Será a mesma posição que sempre mantivemos com a casa mãe, com a diferença de que antes funcionávamos com gestões independentes e agora pensa-se numa administração ibérica.


 


 

18 Novembro 2009
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