O impacto das óticas em zonas rurais/interiores

Imagem da notícia: O impacto das óticas em zonas rurais/interiores

Possíveis impactos das óticas em zonas rurais/interiores 

Como bem sabemos, a visão é uma parte essencial da vida quotidiana e afeta diretamente a capacidade das pessoas de realizar tarefas básicas, como ler, trabalhar e até mesmo participar em atividades sociais. Assim, a disponibilidade de óculos e exames visuais em regiões menos favorecidas ou com menos desenvolvimento ajuda a minimizar desigualdades e a garantir que todos tenham a oportunidade de ver claramente. Além disso, as lojas de ótica podem estimular a economia local. Muitas delas são negócios de propriedade local que geram emprego e podem impulsionar o comércio nas suas áreas de atuação. A compra de óculos e lentes em lojas locais significa também que mais dinheiro permanece na comunidade, contribuindo para o desenvolvimento económico regional. Outro impacto social importante é a consciencialização sobre a saúde ocular. As óticas realizam frequentemente campanhas de sensibilização sobre a importância de cuidar da visão e de realizar exames regulares. Através de eventos comunitários, parcerias com escolas e organizações locais, as óticas podem educar a população sobre problemas visuais comuns e a importância da prevenção. Outro dos possíveis impactos da presença de serviços de ótica em áreas rurais é a possível diminuição das disparidades no acesso à saúde entre zonas rurais e urbanas, assim como o aumento da produtividade, já que com uma melhor saúde ocular, os trabalhadores rurais podem ter maior produtividade nas suas atividades, contribuindo para o desenvolvimento económico local. 

A voz dos profissionais 

Entrevistámos Carla e José Branquinho, sócios-gerentes da Ótica Alentejana; Luís Miguel Alves, sócio-gerente da Óptica Clínica Brigantina – MultiOpticas Bragança/Mirandela; Vítor Martins e Ana Carvalho, sócios-gerentes da Maxivisão de Vila Nova de Poiares, São Pedro de Alva e Lousã; e Ana Lacerda, responsável pelo Oculista das Portas de Santo António de Estremoz, que nos deram uma visão geral sobre os principais desafios da implementação de uma ótica numa zona rural. 

Carla e José Branquinho (Ótica Alentejana): Após alguns anos a viver e trabalhar em cidades como Lisboa e Évora decidimos que gostaríamos de estar inseridos num meio mais calmo, onde se privilegiam as relações interpessoais às vendas e onde existe imenso respeito mútuo e empatia, o que para nós é muito importante, uma relação de proximidade e confiança com os nossos clientes. 

Luís Miguel Alves (MultiOpticas Bragança/Mirandela): Na realidade estamos inseridos em zonas urbanas – cidades de Bragança e Mirandela – embora os municípios do interior tenham essa ambivalência de juntar uma sociedade cada vez mais evoluída e focada em serviços, mas ao mesmo tempo próxima do campo, ou se preferirmos, do setor primário, com todas as características a ele associadas. Contudo, como sou natural de Bragança e neto do ótico mais antigo do distrito, tive sempre o desejo de regressar ao interior após os estudos universitários no litoral. É a minha casa, por isso, decidi abrir o meu negócio aqui.  

Vítor Martins e Ana Carvalho (Maxivisão): Depois de ter trabalhado durante seis anos em óticas de shopping e de rua em cidades, percebemos que nos meios rurais existiam grandes carências no nosso setor. A nossa decisão de abrir e expandir nestes locais é, acima de tudo, porque a nossa profissão é muito mais valorizada. Se pensarmos na saúde visual dos consumidores, conseguimos dar-lhes cada vez mais oferta de produto de qualidade superior e um serviço muito mais diferenciador e eles não sentirão necessidade de se deslocar para as cidades. 

Ana Lacerda (Oculista Das Portas de Santo António): A nossa fundação no ano de 1967 ocorreu no seguimento de uma empresa de cariz familiar na região onde nos encontrávamos. Desde aí, e todo o nosso plano de expansão, realizou-se nesta zona por identificarmos uma necessidade crescente de cuidados visuais especializados no Alentejo, uma região onde o acesso a serviços de saúde ocular é limitado, bem como a rede de transportes, que é fundamental à população mais idosa. Neste momento temos oito lojas todas nesta região do Alentejo: Estremoz, Alandroal, Borba, Fronteira, Monforte, Sousel e Vila Viçosa. 

Leia o artigo completo na ÓpticaPro 264.

9 Junho 2025
Entrevistas

Ler edições anteriores

Notícias relacionadas