“O que pretendo trazer para Portugal são marcas alternativas e independentes, marcas familiares”

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Artur Torres é o criador da 3MD EYEWEAR, uma agência de representação de marcas alternativas e independentes. A ÓpticaPro conversou com o jovem português para saber qual é o objetivo do projeto, que marcas representa e como iniciou o percurso no setor da ótica.

Porque decidiu iniciar um projeto a solo?

Decidi iniciar um projeto a solo, especialmente por razões familiares, por necessidade de passar mais tempo em Portugal, porque estava muito tempo em Espanha, mas também porque desta forma existe apenas um intermediário. Ou seja, eu vou trabalhar diretamente com as marcas e não com um distribuidor, vou ser eu o único intermediário! Até então tínhamos a ótica, o distribuidor, eu e a marca e agora não. Está o ótico, está o Artur e está a marca, o que facilita o processo. Quando comecei a delinear este novo projeto pensei na possibilidade de fazer igualmente a distribuição, ou seja, de ser eu a faturar aos clientes, de fazer stock em Portugal, porém por uma questão de serviço e também de investimento optei por trabalhar umas marcas como agente e outras como distribuidor.

Com que marcas está a trabalhar?

Desde início do meu percurso sempre trabalhei as chamadas marcas “A”, as marcas de primeiro nível do mercado. Dou alguns exemplos: a Massada, a JFREY, Veronika Wildgruber (designer da Hermés), enfim um conjunto de marcas independentes. E neste momento é isso que continuo a fazer! A primeira marca que já tive oportunidade de anunciar nas redes sociais e que vou trazer para Portugal chama-se Nina Mûr. É uma marca produzida em Madrid, que trabalha com o produto birch, que é um contraplacado finlandês, que apresenta uma paleta de cores lindíssima, com hastes ajustáveis e óculos totalmente personalizáveis. Estamos perante uma marca com óculos feitos à medida por cada ótico, desde o desenho, cor, tamanho, todos os detalhes. Se é verdade que quem faz as marcas são os óticos, também é verdade que determinadas marcas ajudam o ótico a diferenciar-se pela exclusividade. Esse é o caso da Nina Mûr.Outra marca com quem acabo de fechar contrato, para Portugal e Espanha é a Portrait Eyewear, uma marca italiana, com uma ligação à arte fortíssima. É uma marca, que desde o seu início, se tem focado num produto extremamente disruptivo, óculos por vezes até pouco comerciais, mas que apostou nos últimos anos, em linhas com um sell-out mais alto, porém com um toque subtil alternativo. Esta marca dá-me agora a possibilidade de trabalhar uma marca disruptiva, mas simultaneamente com uma linha comercial, o que para mim é uma satisfação! Escusado será dizer que são todos óculos “handmade”, isso é inequívoco!No caso da Nina Mûr podemos dizer que são óculos “homemade”, porque é tudo feito dentro de portas, não havendo lugar a stock extra. O cliente faz o pedido e o óculo é produzido à posteriori, no prazo máximo de duas semanas, somente nas quantidades pretendidas. É uma novidade para o mercado!

Qual é o seu grande objetivo?

O que pretendo trazer para Portugal são marcas alternativas e independentes (marcas familiares), e por outro lado, trazer marcas extremamente personalizáveis. As marcas que vou representar e cujos contratos de representação já estão assinados, são realmente feitas à mão, com carinho e noção do que é a sustentabilidade. São independentes, alternativas e vão contar na Ibéria, com um agente habituado a trabalhar este nível de marcas, com uma diferença: é que desta vez eu vou trabalhar de forma independente, de forma a dar um serviço ainda mais próximo aos clientes. Estas marcas, em termos de preço de venda ao público, nenhuma delas, em termos médios superará os 300€. Ou seja, quero com isto dizer o seguinte: são marcas realmente de nicho, mas estou à procura de produtos que possam ser trabalhados a longo prazo. A relação qualidade/preço é muito boa, o que eu entendo que pode dar aos óticos a possibilidade de fazer um trabalho a longo prazo e não apenas introduzir uma marca porque é tendência num ano, e deixá-la de lado no ano seguinte. A ideia é trabalhar as marcas com proximidade e a longo prazo.

Entrevista completa na revista ÓpticaPro 222.

10 Janeiro 2022
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