A literacia visual como um dos pilares da autoprevenção
Olhar de forma consciente: a literacia visual como um dos pilares da autoprevenção, por: Bruno Monteiro*
A invisibilidade da visão é talvez um dos maiores paradoxos do nosso quotidiano. É, efetivamente, o sentido que mais usamos no nosso dia a dia, mas é também aquele em que menos pensamos. Está sempre presente, sempre disponível, e por isso torna-se invisível. Vemos o mundo sem nos questionarmos sobre o milagre que é ver bem, como se este sentido fosse garantido e eterno. É assim até que algo falhe, e é nesse momento que a consciência desperta. A sombra inesperada e a nitidez perdida lembram-nos do quanto dependemos da visão. O primeiro paradoxo está aqui: usamos a visão para tudo, mas só a valorizamos quando ela ameaça faltar.
Os problemas visuais, em muitos casos, não surgem de forma súbita ou inevitável, mas sim como resultado de comportamentos repetidos e muito atuais na nossa sociedade: esforço prolongado sem pausas, exposição excessiva a ecrãs, falta de consultas regulares, e desvalorização de sintomas iniciais como cansaço ocular, visão turva ou dores de cabeça. O corpo avisa, mas esses avisos são ignorados ou considerados normais.
Ter literacia funcional é saber que ver bem não é apenas ver com nitidez hoje, mas cuidar do sistema visual ao longo da nossa vida. É compreender que os olhos fazem parte de um organismo integrado, afetado pelo sono, pela alimentação, pelo stress, pela postura, entre outros fatores. É necessário compreender sinais, hábitos e limites, e de agir antes que o dano se torne irreversível. Quando essa consciência existe, a prevenção torna-se possível e a perda deixa de ser destino para passar a ser consequência das nossas escolhas.
Leia o artigo na íntegra na revista ÓpticaPro 275.
* Bruno Monteiro é licenciado em Óptica e Optometria pelo ISEC Lisboa e pós-graduado em Terapia Visual e Treino Visual Desportivo na mesma instituição. É sócio-gerente de duas empresas de ótica, optometrista desportivo em funções no Clube Recreativo Leões de Porto Salvo e membro da direção da UPOOP, nas funções de secretário da direção. É coautor de duas publicações científicas em revistas internacionais com revisão por pares.
25 Maio 2026
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