“Há 15 anos, a ótica era mais ótica”

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Quando a ÓpticaPro saiu para a rua, em janeiro de 2005, a nossa capa pertenceu a Adão Ferreira de Pinho, ótico muito respeitado no setor e proprietário do Adão Oculista. 200 números depois, e em ano de celebração, não poderíamos esquecer quem está connosco desde o início. Paula Pinho, a filha de Adão, e o seu marido Arlindo Teixeira contaram-nos quais são os principais desafios que enfrentam para gerirem a empresa hoje em dia e deixaram-nos a sua visão sobre as diferenças que encontram no mercado desde que a ÓpticaPro nasceu.

Como era o negócio da ótica há 15 anos?

Arlindo Teixeira: Estávamos numa fase mais fácil do que hoje em dia. Agora surgem situações que nada têm a ver com ótica, que nos ultrapassam, que são difíceis de gerir. Por exemplo: a integração das companhias de seguros no setor da ótica, que alteram e desvirtuam completamente a nossa atividade.

Paula Pinho: De facto, isto antes não existia, era mais fácil trabalhar porque não tínhamos inibições ou proibições de venda como temos agora. E, quando a ÓpticaPro inaugurou, estávamos numa fase muito simpática da nossa vida. Há 15 anos, a ótica era mais ótica.

O que querem dizer com isso?

PP: Que não existiam estas concorrências disparatadas e descabidas, estas noções de low-cost – não tenho nada contra o low-cost quando é uma situação real –, em que existem pontos de venda onde o profissionalismo e a qualidade dos serviços não é aquilo que se apregoa. E a ótica é um setor que trabalha a saúde, ou deveria ser!

Como imaginam a ótica daqui a outros 15 anos?

PP: Aquilo que esperamos que aconteça é uma coisa, mas aquilo que achamos que vai acontecer é outra. Na nossa visão, as óticas irão juntar-se em grupos para poderem anular o facto de não conseguirem trabalhar individualmente. Ou seja, nós podemos ter a nossa marca pessoal, mas teremos que estar inseridos em grupos de trabalho para podermos chegar mais longe. A união faz a força, é uma realidade. E os óticos que integrarem esses grupos têm que se manter fiéis a si próprios, mas alinhar por um caminho comum. Não me parece que as pessoas sozinhas consigam fazer frente a estas situações menos positivas do setor.

AT: Dentro das empresas existem grupos, discute-se e distribui-se o trabalho pelas várias pessoas. Na ótica irá acontecer o mesmo: vamos discutir e analisar o caminho que queremos seguir… o grupo que poderemos vir a integrar será um grupo de trabalho com valores idênticos aos nossos, transparente da montra para dentro e de dentro da loja para fora, terá que haver sempre clareza para com o cliente.

Querem dizer que os óticos independentes vão desaparecer?

PP: Nunca irão desaparecer! Pelos menos esperamos que o Adão Oculista não desapareça. Agora, o que vejo é a nossa empresa e outras como a nossa agregadas dentro de grupos, com valores e ideais semelhantes. As pessoas vão continuar a procurar as óticas de sempre, a sua ótica de família.

À data da realização desta entrevista, publicada na ÓpticaPro 200, ainda não tínhamos a informação de que o Adão Oculista iria juntar-se à Optivisão, o que acabou por acontecer logo no início de janeiro.

14 Janeiro 2020
Entrevistas

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