“A auto-regulação e os clientes têm a última palavra”

ÓpticaPro: Licenciou-se em Farmácia e trabalhou durante alguns anos como farmacêutico. Porquê enveredar pela área da óptica?
Paulo Simões: Aconteceu de forma natural. O meu pai criou em 1957 a secção de óptica na Farmácia Confiança de Viseu e tenho, por isso, um contacto com a área desde sempre. Na altura da divisão patrimonial com a família optei pelo desenvolvimento da minha actividade como empresário de óptica ocular.

 

OP: Existe uma grande diferença entre os dois sectores relativamente à legislação…
PS: De facto, não são comparáveis. A legislação farmacêutica, embora tenha vindo a evoluir nos últimos tempos, procurou sempre a salvaguarda dos interesses da saúde pública e do consumidor. O principal cliente das farmácias ainda hoje é o Serviço Nacional de Saúde, e os outros sub-sistemas, através dos mecanismos de comparticipação e subsidiação. A dimensão do sector
farmacêutico é muito grande, se comparada com o nosso sector. No seio da óptica, não houve capacidade, ou vontade política, para legislar o sector. E creio que com a entrada das cadeias multinacionais muito dificilmente isso virá a acontecer. A auto-regulação e os clientes terão a última palavra.

 

OP: Para além desta legislação, o que falta ao sector da óptica para que possa atingir o patamar das farmácias?
PS: Falta-nos “um” doutor João Cordeiro, presidente da Associação Nacional das Farmácias, e a imensa equipa de colaboradores que soube chamar a si, para há mais de 35 anos liderar um sector de actividade sempre invejado. Soube actuar sobre os decisores políticos, sobre a produção, a distribuição, a qualidade e a formação profissional do sector,
sobre os sistemas de gestão informática das farmácias, as políticas de pagamento do Estado ao sector e a salvaguarda dos interesses da classe na protecção social. Com isto não quero desvalorizar o imenso trabalho dos diversos dirigentes associativos em prol da dignificação e valorização do ramo da óptica ocular, mas a dimensão dos sectores é incomparável e existe ainda muito por fazer.


OP: Há cerca de um ano e meio decidiu criar a marca Visual Center…
PS: Decidi traçar o meu caminho de forma autónoma. O Visual Center decorreu, portanto, da saída da franquia a que estivemos ligados nos últimos anos . Esta nova fase passou já pela abertura de mais uma loja de rua em Viseu com uma imagem totalmente nova, a reforma de outras e a expansão para Lisboa, onde vamos, numa primeira fase, abrir três lojas de rua em Setembro. O Visual Center aposta sobretudo nas suas pessoas, no reforço permanente de uma “cultura de empresa” que confira uma identidade coesa e distintiva, um modo específico de fazer e de estar. A missão assenta num serviço de excelência, com elevado sentido ético e profissionalismo e a nossa visão passa por sermos diferentes e fazer melhor. O único compromisso que assumimos é, definitivamente, com o consumidor.


Veja a versão integral na edição nº 81 da ÓpticaPro

6 Setembro 2010
Entrevistas

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