“Temos que democratizar a óptica”

ÓpticaPro: O grupo instituiu-se para formar uma força contra as dificuldades do mercado, na altura muito relacionadas com a entrada das grandes marcas internacionais no nosso país?

Luís Neves: Fomos o primeiro grupo de ópticos com capital exclusivamente português a surgir, para tentar responder a essa situação. Este sector começou a ter pujança, criando-se uma competitividade que não existia antes. Na altura, a princial preocupação da Cooperóptica, designação anterior dos Conselheiros da Visão, consistia em unir os ópticos, para que funcionassem em rede e fossem capazes de competir com os grandes grupos que estavam a implantar-se no nosso mercado. Tínhamos que encontrar respostas eficazes para lhes fazer frente e, além disso, valorizar a óptica e os ópticos portugueses.

OP: O percurso do grupo tem sido crescente em termos de adesões?

LN: Sim, numa fase inicial éramos cerca de 40 ópticos associados e agora temos já perto de 200 lojas aderentes. Continuamos com a expectativa de crescer, não apenas em número de estabelecimentos, mas principalmente em potencial de negociação. Esta evolução revela-se indispensável ao ganho de massa crítica e à competição com os grandes grupos.

OP: De facto, o número em si não é o principal objectivo dos Conselheiros, mas sim a consistência em relação ao conceito que defendem …

LN: Sim, mas não podemos perder de vista a dimensão, porque induz uma capacidade acrescida de negócio e de rentabilidade. Porém, os nossos ópticos apresentam-se essencialmente como profissionais de proximidade, com provas dadas em termos de confiança e competência.Enquadramo-nos, sem dúvida, na chamada óptica tradicional, com os vários atributos que nos diferenciam das grandes superfícies e de outros grupos. É fundamental que nos conheçamos e que os clientes nos vejam como conselheiros, como pessoas competentes que revelam uma permanente valorização profissional e que se focam no conceito da saúde, ocular em primeiro lugar. É por aqui que procuramos distinguir-nos.

OP: Como descreve o mercado luso da óptica?

LN: Todos os actores relacionados com o sector devem contribuir para a democratização da óptica. É fundamental conseguirmos mais consumidores de óptica., incentivar as pessoas a preferirem os estabelecimentos certificados e passar a ideia de que ter óculos não é usar uma prótese, mas uma forma de melhorar a qualidade de vida, enquanto podem conviver de perto com a moda, numa relação justa entre qualidade e preço. Se os consumidores se “reequipassem” de dois em dois anos em vez de três em três ou mais,  acrescentaríamos seguramente valor ao negócio da óptica em Portugal.

Veja a versão integral na edição nº 78 da ÓpticaPro

 

31 Maio 2010
Entrevistas

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