Oftalmologista alerta para risco de acidente com álcool-gel

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A médica oftalmologista Cláudia Bacalhau afirma que tem assistido neste período pandémico a um aumento de casos de acidentes com o uso de álcool-gel e desinfetantes de mãos de base alcoólica, por contacto com os olhos.

“O mais frequente tem sido em crianças, sobretudo nas soluções mais líquidas que ‘esguicham’ quando carregamos no dispensador. Como a maioria dos dispensadores estão localizados à altura das nossas de mãos, ficam também à altura do rosto das crianças e propiciam estes acidentes. Quando a solução está no fim e se pressiona várias vezes no dispensador para a saída de desinfetante, este muitas vezes sai depois em ‘esguicho’. Além disso, já assisti crianças cujos pais desinfetaram as mãos em cima de carrinhos de bebé e pingaram inadvertidamente gotas de solução alcoólica, bem como crianças mais crescidas que esfregaram os olhos no imediato após colocarem álcool-gel. Todas estas situações levam a queixas de ardor, queimadura e vermelhidão, que podem ter gravidade variável. Nos casos mais graves, eu já atendi um, a criança não consegue abrir o olho e apresenta edema palpebral severo”.

A médica oftalmologista acrescenta que “o indicado é não coçar o olho nestas situações e de imediato proceder a lavagem, com soro fisiológico ou água, de modo abundante. Deve tentar lavar-se bem nas pregas internas da pálpebra. Se o desconforto persistir, ou existirem sinais inflamatórios persistentes, deve ser consultado um oftalmologista. Mas o mais importante é prevenir: cuidado no uso de álcool-gel nas crianças, afastá-las dos dispensadores que estejam à altura dos seus olhos e pressionar o adulto o dispensador desinfetando depois as mãos da criança. Cuidado quando se carrega vezes seguidas no dispensador para tentar que saia desinfetante e o produto está no fim – quando acaba por sair, sai em jato e pode atingir os olhos. Apesar da maioria dos casos terem resolução simples e não deixarem sequelas, existe risco de queimadura da córnea que pode ser irreversível”.

Cláudia Bacalhau concluiu que já encontrou vários relatos de casos similares, nomeadamente no Brasil e no Reino Unido.

16 Outubro 2020
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