A evolução das lentes oftálmicas e os desafios da saúde visual numa população cada vez mais sénior

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Artigo da autoria de Paulo Mendonça, licenciado em Optometria pelo Instituto Superior de Educação e Ciências de Lisboa e com um percurso direcionado para a Optometria Comportamental, Terapia Visual e Integração entre visão, postura e sistema nervoso:

A visão ocupa um papel central na forma como interagimos com o mundo. Contudo, nas últimas décadas, as exigências visuais da sociedade moderna alteraram-se profundamente. A rotina acelerada, a utilização de dispositivos digitais e o envelhecimento populacional estão a transformar não apenas as necessidades dos pacientes, mas também a abordagem dos profissionais da visão.

Enquanto optometrista comportamental, considero fundamental compreender que a visão vai muito além da simples acuidade visual. É um processo neurológico complexo que envolve, entre outros, integração sensorial e processamento cerebral. Esta visão mais ampla da optometria foi fortemente influenciada por referências internacionais da visão comportamental, como Robert Sanet, cuja abordagem reforça a importância da visão enquanto sistema funcional ligado ao desenvolvimento humano e à qualidade de vida.

Ao longo da minha formação tornou-se ainda mais evidente que o sistema visual não funciona isoladamente. Existe uma ligação permanente entre visão, postura, sistema vestibular, propriocepção e coordenação motora. O corpo adapta-se constantemente à informação visual recebida e pequenas alterações no equilíbrio binocular, acomodativo ou espacial podem refletir-se em tensões musculares, desequilíbrios posturais e fadiga global.

Na sociedade atual, o sistema visual é submetido a uma carga sem precedentes. O cérebro é obrigado a realizar adaptações constantes entre diferentes distâncias, luminosidades e estímulos visuais. Perante esta realidade, os pacientes tornaram-se mais exigentes. Já não procuram apenas “ver melhor”. Procuram conforto e soluções adaptadas ao seu estilo de vida.

O aumento exponencial da utilização de ecrãs trouxe igualmente um crescimento significativo do chamado stress visual digital. Queixas como dores de cabeça, fadiga ocular, secura ocular, dificuldade de foco e tensão cervical tornaram-se frequentes. Em muitos casos, estes sintomas não resultam apenas de um problema refrativo, mas de alterações da eficiência visual, coordenação binocular, acomodação e integração sensório-motora.

É precisamente aqui que a abordagem comportamental ganha relevância clínica. Muitos pacientes com desconforto visual apresentam simultaneamente alterações posturais, desequilíbrios corporais ou dificuldades de estabilidade espacial. A posição da cabeça, o tónus muscular e o equilíbrio corporal influenciam diretamente a forma como o sistema visual funciona. Da mesma forma, alterações visuais podem gerar adaptações posturais compensatórias.

Leia o artigo completo na ÓpticaPro 278.

4 Agosto 2026
Opinião

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